Tipos de Ramirezi: Qual Variedade Escolher?

Por Marina Valença

· Publicado em

ramirezi clássico (Mikrogeophagus ramirezi) em aquário plantado, uma das variedades de ramirezi

Quais são os tipos de ramirezi que valem a pena e, principalmente, qual deles você deve levar para casa? Na loja aparecem o clássico de cores quentes, o azul elétrico que parece pintado de neon, o dourado e o balão de corpo arredondado. Parecem todos o mesmo peixe, mas a saúde de cada um muda bastante.

Neste guia você vê o que diferencia cada variedade, o que é só cor e o que mexe de verdade na resistência, e qual escolher conforme sua experiência. Quase tudo aqui é a mesma espécie, Mikrogeophagus ramirezi, com uma exceção que engana muita gente: o ramirezi boliviano.

Em resumo

Tipos de ramirezi: o essencial

  • Clássico: o mais resistente e o melhor para quem está começando.
  • Azul elétrico, dourado e balão: variedades criadas por seleção, da mesma espécie e com os mesmos cuidados, mas com menos margem para erro.
  • Balão: corpo curto e arredondado, e a variedade com mais relatos de fragilidade.
  • Boliviano: parece, mas é outra espécie (Mikrogeophagus altispinosus).
  • Os parâmetros de água valem para todas as variedades da espécie: veja o guia de cuidados do ramirezi.

Neste artigo:

  • Ramirezi clássico (alemão)
  • Ramirezi azul elétrico
  • Ramirezi dourado
  • Ramirezi balão
  • Preto, albino e nadadeira longa
  • Ramirezi boliviano: parece, mas é outra espécie
  • Comparativo das variedades
  • Como escolher um ramirezi saudável na loja
  • Os cuidados mudam de uma variedade para outra?
  • Perguntas frequentes

Ramirezi clássico (alemão)

É a forma que mais se aproxima do peixe encontrado na natureza, nos rios da Venezuela e da Colômbia, e a que as lojas chamam de ramirezi comum ou ramirezi alemão. O corpo vai do amarelado ao dourado acinzentado, a cabeça ganha tons de laranja, as escamas brilham em pontinhos azuis iridescentes e há uma faixa escura que atravessa o olho, além de uma mancha preta no meio do flanco.

Os machos têm os primeiros raios da nadadeira dorsal mais compridos, o que dá aquela silhueta de crista que explica o apelido de borboleta. Entre as variedades, é a que mais tolera os tropeços de quem está aprendendo, desde que a água seja mole, o aquário esteja ciclado e a temperatura fique na faixa quente que a espécie pede. Os detalhes estão no guia completo de cuidados com o ramirezi.


Ramirezi azul elétrico

ramirezi azul elétrico, variedade criada por seleção, nadando em aquário com areia escura

O azul elétrico (Electric Blue Ram ou Blue Ram) é a variedade mais vendida depois do clássico. O corpo tem um azul intenso e brilhante, com muito menos amarelo, e os pontinhos de cor parecem acesos sob a luz do aquário. É uma forma criada por seleção em cativeiro, não um peixe de rio.

A beleza tem um preço. Criadores e aquaristas relatam com frequência que o azul elétrico é mais sensível que o clássico, aceita menos oscilação de temperatura e de qualidade da água, e costuma viver menos. Não existe estudo que meça isso, é uma tendência de experiência prática, então trate como um alerta e não como regra. Se você quer um, a água precisa estar impecável desde o primeiro dia.


Ramirezi dourado

ramirezi dourado à esquerda e ramirezi clássico à direita, lado a lado no aquário

O dourado (Gold Ram) tem o corpo amarelo-dourado uniforme, com o azul das escamas bem mais discreto e as marcas escuras suavizadas. Combina muito bem com aquário plantado de folhas verdes, porque o amarelo se destaca sem competir com a decoração.

Aqui a resistência depende menos da cor e mais da origem do lote. Um dourado de criador cuidadoso tende a se sair melhor que um clássico de criação em massa, que já chega debilitado do transporte. Por isso vale mais perguntar de onde veio o peixe do que se fixar na cor.


Ramirezi balão

ramirezi dourado de corpo normal à esquerda e ramirezi balão, de corpo curto e arredondado, à direita

O balão é a variedade que mais mexe com o formato do peixe. Por seleção, o corpo fica curto, arredondado e meio “encolhido”, com a coluna mais curta que a do ramirezi normal. É a mesma lógica da molinésia balão: o visual fofo vem de uma deformação que foi fixada em cativeiro.

É também a variedade com mais relatos de problemas: dificuldade para nadar contra a correnteza, digestão mais delicada e vida mais curta. Há quem goste do formato, e quem não compra de jeito nenhum por considerar uma seleção que prejudica o animal. Se mesmo assim você escolher um balão, mantenha um fluxo bem suave no filtro, ofereça comida em pedaços pequenos e não ceda na estabilidade da água.

Escolha consciente: variedades que alteram o formato do corpo, como o balão, costumam ter mais problemas de saúde. Se a ideia é um primeiro ramirezi, o clássico dá menos dor de cabeça.

Preto, albino e nadadeira longa

Algumas lojas e criadores também oferecem o ramirezi preto (com muito mais pigmento escuro), o albino (com pouco pigmento e olhos avermelhados) e versões de nadadeira longa, também chamadas de véu. Os nomes comerciais mudam de um vendedor para outro, então vale conferir como é o peixe de verdade antes de pagar.

Todas descendem da mesma espécie e valem a mesma regra: quanto mais a aparência foi alterada por seleção, menos folga a água dá para erros. Pesquise o criador, peça fotos do lote e desconfie de nomes muito exóticos para um peixe que mal se vê no aquário da loja.


Ramirezi boliviano: parece, mas é outra espécie

O ramirezi boliviano (Mikrogeophagus altispinosus) é parente próximo do ramirezi comum e costuma ser vendido com nomes parecidos. O corpo é mais alongado, as cores são mais discretas, em tons de cinza e amarelo com listras e uma mancha escura, e ele é um pouco maior.

A diferença que importa na prática é a faixa de água. O boliviano é descrito como mais tolerante que o ramirezi comum, inclusive em temperaturas um pouco menores, o que facilita a vida de quem monta aquário comunitário com peixes que não gostam de água tão quente. Os valores exatos aparecem na ficha da espécie no Seriously Fish.


Comparativo das variedades de ramirezi

Resumo do que muda entre elas. A coluna de resistência reúne a tendência relatada por criadores, não números medidos:

VariedadeAparênciaResistência (tendência)Indicada para
ClássicoAmarelo a dourado, pontos azuis, faixa no olhoMais resistentePrimeiro ramirezi
Azul elétricoAzul intenso e brilhanteMais sensívelQuem já tem água estável
DouradoAmarelo-dourado uniformeVaria com a origem do loteAquário plantado de verdes
BalãoCorpo curto e arredondadoMais frágilSó com experiência e fluxo suave
Boliviano (outra espécie)Mais alongado, tons discretosMais tolerante à temperaturaComunitário com água menos quente

Como escolher um ramirezi saudável na loja

Antes de decidir a cor, olhe o estado do peixe. Um ramirezi bonito com problema de saúde vira prejuízo em poucos dias. Observe com calma:

  • Natação firme: ele deve ocupar o aquário com naturalidade, sem ficar parado no fundo com as nadadeiras coladas ao corpo.
  • Barriga: nem afundada nem inchada.
  • Pele e nadadeiras: sem pontos brancos, sem manchas esbranquiçadas e sem nadadeiras puídas.
  • Aquário da loja: água limpa, temperatura quente (o ramirezi não gosta de água fria) e sem peixes mortos ou doentes por perto.
  • Origem: pergunte se é de criador local ou de lote grande de criação em massa. A diferença na resistência está explicada na seção sobre a fama de delicado do guia do ramirezi.

Se quiser um casal, lembre que o macho tende a ser maior e a ter os raios da dorsal mais alongados, e que a fêmea tem o corpo mais arredondado, com a barriga rosada perto da desova.


Os cuidados mudam de uma variedade para outra?

Os parâmetros são os mesmos para todas as variedades da espécie: água mole e levemente ácida, temperatura quente e aquário ciclado, como mostra a página de parâmetros de água no aquário. O que muda é a margem de erro. No azul elétrico e no balão, uma queda de temperatura ou um pico de amônia pesa mais.

Três cuidados ajudam em qualquer variedade: um aquecedor de aquário confiável, a ciclagem completa antes de colocar o peixe e trocas de água pequenas e regulares, em vez de uma troca grande de vez em quando.


Perguntas frequentes sobre os tipos de ramirezi

Qual é o ramirezi mais resistente?

O ramirezi clássico, de cores naturais, costuma ser apontado por criadores como o mais resistente. As variedades selecionadas (azul elétrico, dourado e balão) são da mesma espécie, mas dão menos margem para erro de água e de temperatura. Para o primeiro ramirezi, o clássico é a escolha mais segura.

Ramirezi azul elétrico e ramirezi comum são a mesma espécie?

Sim. O azul elétrico é uma variedade criada por seleção dentro de Mikrogeophagus ramirezi. Os parâmetros de água, a alimentação e o tamanho de aquário são os mesmos do ramirezi clássico.

O ramirezi balão é um peixe saudável?

Ele tem o corpo mais curto e arredondado por seleção, e é a variedade que mais divide opinião entre criadores, justamente por relatos de saúde mais frágil e vida mais curta. Se quiser um, escolha um exemplar que nade firme, coma bem e venha de um criador confiável, e mantenha a água muito estável.

Posso criar ramirezi comum e ramirezi boliviano juntos?

O ramirezi boliviano (Mikrogeophagus altispinosus) é outra espécie. Os dois podem dividir um aquário grande o bastante, mas não é o melhor arranjo se a ideia for reproduzir, porque o ideal é manter cada espécie separada. Além disso, a faixa de temperatura confortável de cada um não é exatamente a mesma.

Como saber se o ramirezi é macho ou fêmea?

O macho costuma ser um pouco maior e ter os primeiros raios da nadadeira dorsal mais alongados. A fêmea tem o corpo mais arredondado e, perto da desova, a barriga fica rosada ou avermelhada. Em peixes jovens a diferença ainda não aparece com clareza.

Fontes de referência: Seriously Fish: Mikrogeophagus ramirezi, Seriously Fish: Mikrogeophagus altispinosus.

Ilustração de um peixe betta azul, imagem da autora Marina Valença

Marina Valença escreve o Aquário Vivo, um guia de aquarismo de água doce para quem está começando. Cada artigo é feito a partir de pesquisa em fontes especializadas, como Seriously Fish e FishBase, e as fontes ficam citadas no final do texto para você conferir. Marina Valença é o nome editorial com que o blog assina seus textos.

Deixe um comentário