Apareceu alga no aquário e você não sabe qual é? Identificar o tipo certo é o primeiro passo, porque cada alga conta uma história diferente sobre o que está desequilibrado na água, na luz ou nos nutrientes. Aqui você aprende a reconhecer cada uma pela aparência e a entender o que ela indica. Para o passo a passo de tratamento de cada caso, veja o guia de como controlar algas no aquário.
Tabela rápida: identifique a alga pela aparência
| Tipo de alga | Aparência | O que costuma indicar |
|---|---|---|
| Diatomácea (marrom) | Película marrom empoeirada no vidro e no substrato | Aquário novo, excesso de silicato, luz fraca |
| Ponto verde (GSA) | Pontos verdes pequenos e duros no vidro | Luz forte ou longa demais, fosfato baixo |
| Filamentosa verde | Fios verdes longos sobre plantas e decoração | Excesso de luz e nutrientes desequilibrados |
| Barba preta (BBA) | Tufos escuros nas bordas de folhas e equipamentos | CO2 instável e fluxo de água irregular |
| Cianobactéria | Camada lisa azul-esverdeada com cheiro forte | Excesso de matéria orgânica, fluxo baixo, nitrato baixo |
| Água verde | Água toda esverdeada e turva (bloom) | Excesso de luz e nutrientes, exposição ao sol |
Como identificar cada tipo de alga
Alga marrom (diatomácea)
Forma uma película marrom, empoeirada, que cobre vidro, substrato e folhas. É a alga clássica de aquário novo e sai fácil ao passar o dedo. Indica excesso de silicato e iluminação ainda em ajuste.

Alga de ponto verde (GSA)
São pontinhos verdes pequenos e duros, grudados principalmente no vidro. Custam a sair e exigem raspagem. Costumam aparecer quando a luz é forte ou fica ligada tempo demais, com fosfato baixo.
Alga filamentosa verde
Fios verdes longos que se enrolam em plantas, troncos e equipamentos. Indicam excesso de luz combinado com nutrientes fora de equilíbrio. É comum em aquários muito iluminados.
Alga barba preta (BBA)
Tufos escuros, quase pretos ou cinza, que crescem nas bordas das folhas e em equipamentos. É a mais temida e está ligada a CO2 instável e fluxo de água irregular.

Cianobactéria (a “alga azul”)
Forma uma camada lisa azul-esverdeada, escorregadia e com cheiro forte de mofo. Apesar do nome, é uma bactéria. Indica excesso de matéria orgânica, fluxo de água baixo e nitrato muito baixo.
Água verde (bloom)
A água inteira fica esverdeada e turva, como sopa de ervilha. É causada por microalgas em suspensão, geralmente por excesso de luz ou exposição ao sol. Não adianta trocar a água, é preciso cortar a causa.
Identificou a sua alga? O próximo passo é tratar a causa certa. Veja o guia completo de como controlar algas no aquário, com a solução para cada tipo. Se o seu é um aquário plantado, veja também como controlar algas no aquário plantado.

Guia completo: Como Controlar Algas no Aquário
Para um catálogo visual técnico de cada alga de aquário, vale consultar o guia do 2Hr Aquarist, uma referência internacional em aquarismo plantado.
Rotina semanal que evita o retorno das algas
Identificar e eliminar resolve o problema de hoje. O que impede o de amanhã é uma rotina curta, de uns 20 minutos por semana, que ataca as duas causas de quase toda alga: excesso de nutriente e excesso de luz.
- Troca parcial de 25% a 30% da água. Remove o nitrato e o fosfato acumulados antes que virem comida de alga.
- Aspirar o substrato na região da frente. Restos de ração apodrecendo no cascalho são fertilizante gratuito para alga marrom.
- Conferir o timer da iluminação. De 6 a 8 horas de luz por dia bastam. Luz acesa das 8h às 22h é convite aberto para alga verde.
- Limpar o vidro com raspador antes da troca. A alga solta na água sai junto no sifão, em vez de se fixar de novo.
- Dosar comida em 2 minutos. O que os peixes não comem nesse tempo vai virar amônia, e amônia vira alimento de alga.
Quem cumpre essa rotina raramente volta a ter surto. E se a alga insistir mesmo com tudo em dia, o problema costuma estar na água da torneira rica em fosfato ou em luz solar direta batendo no vidro em algum horário do dia. Vale observar o aquário ao longo de um dia inteiro para descobrir.
Perguntas Frequentes sobre Identificação de Algas
O que causa cada tipo de alga
Identificar a alga é metade do trabalho. A outra metade é entender qual desequilíbrio ela indica, porque alga não é invasora que chegou de fora, é resposta a uma condição do aquário. O USGS, órgão científico do governo americano, documenta esse mesmo padrão em corpos d’água naturais: o excesso de nitrogênio e fósforo disponível é o gatilho que dispara o crescimento de algas. Cada tipo aponta para uma causa diferente:
- Alga verde no vidro. Luz em excesso, seja tempo de fotoperíodo longo ou aquário pegando sol direto.
- Alga marrom (diatomácea). Típica de aquário novo, com silicato na água. Costuma desaparecer sozinha quando o aquário amadurece.
- Alga filamentosa verde. Excesso de nutriente, geralmente nitrato e fosfato altos por sobra de ração.
- Alga pincel ou barba negra. CO2 instável e circulação irregular da água.
- Cianobactéria (lodo azul esverdeado). Matéria orgânica acumulada no substrato e circulação fraca.
A ordem certa para resolver
- Reduza o fotoperíodo para 6 a 8 horas por dia, com timer. Luz por tempo demais é a causa mais comum.
- Corte o excesso de ração. Sobra de comida vira nitrato e fosfato, que são o combustível da alga.
- Sifonagem e troca parcial semanal de 25%, removendo matéria orgânica acumulada.
- Remova manualmente o que já cresceu, raspando o vidro e podando folhas muito afetadas.
- Só então considere aliados biológicos como otocinclus, camarão amano ou caramujo neritina.
Pular direto para o passo 5 é o erro clássico: sem corrigir luz e nutriente, nenhum comedor de alga dá conta do volume produzido. A rotina completa de manutenção está em como fazer troca de água no aquário.
Aliados biológicos que realmente ajudam
Depois de corrigir luz e nutriente, alguns habitantes viram manutenção contínua e evitam o retorno da alga. O ponto é que eles complementam a rotina, nunca substituem.
O otocinclus é o mais eficiente no vidro e nas folhas largas, mas exige aquário maduro com biofilme já formado. O camarão amano ataca alga filamentosa melhor que qualquer peixe e ainda limpa resto de ração. O caramujo neritina raspa o vidro sem se reproduzir em água doce, o que evita o problema de virar praga.
Nenhum deles come alga pincel ou barba negra em quantidade relevante, então esse tipo continua exigindo correção de CO2 e circulação. Para escolher entre as opções, o guia de peixe limpa vidro compara as espécies que funcionam de verdade.
Fontes de referência: USGS.
Conteúdo produzido e revisado pela equipe do Aquário Vivo, com curadoria técnica sobre aquarismo de água doce: montagem de aquários, parâmetros de água, espécies de peixes e plantas.







